RdM part 1
Seja bem-vindo ao especial do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1! Aqui você encontrará todas as informações referentes à produção, assim como acesso rápido às fotos e vídeos do filme! Não deixe de sempre visitar o https://aarmadadedumbledorebr.webnode.pt/ para saber das últimas novidades sobre a série Harry Potter!
Um dos filmes mais esperados do mundo , depois de quase 10 anos um grande fenômeno mundial está chegando ao fim .
- Harry está aguardando na rua dos Alfeneiros. A ordem da Fênix chegará em breve para transferi-lo, em segurança, do endereço de sua família trouxa, sem que Voldemort e seus seguidores saibam. A partir daí, o que Harry deverá fazer? Como será capaz de cumprir a missão, aparentemente impossível que Dumbledore lhe deixou ?
Crítica de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1"
SOS Hollywood - novembro de 2010
Por Fábio Melo Barreto
Hollywood conhece bem suas regras e sabe segui-las. É um negócio lucrativo, capaz de resistir a crises e, até o momento, as grandes mudanças na tecnologia. Os estúdios de Los Angeles foram os responsáveis pela criação dos blockbusters, pelos grandes épicos e sabem o que entregar ao público, pois foram eles quem escolheram os elementos desse cenário lá atrás, quando os grandes épicos da MGM levavam nossos pais e avós ao cinema, um tempo em que ainda se vestia terno e chapéu no programão de domingo. A inspiração nos clássicos e na Bíblia abasteceu essa indústria antes da onda de originalidade dos blockbusters no finzinho dos anos 70, mas a ligação entre cinema e literatura nunca terminou. É mais seguro levar uma obra conhecida, e, normalmente, admirada aos cinemas do que criar algo totalmente novo. Vivemos um novo momento nesses ciclos hollywoodianos com as histórias e quadrinhos, mas também com as adaptações literárias. E elas são muitas. Entretanto, não é só ao sucesso inquestionável de Peter Jackson com O Senhor dos Anéis que essa dinâmica se construiu ao longo dos últimos dez anos, mas também a Harry Potter, assumidamente uma maçaroca cultural e literária montada por J.K. Rowling e que, depois de nove anos nos cinemas, inicia sua conclusão com Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. É um filme evento, claro, mas David Yates faz uso do precedente aberto por Zack Snyder, em Watchmen – O Filme, e banca o diretor birrento ao ignorar as leis de Hollywood, seu formato “garantido” de sucesso e, no primeiro ato de sua conclusão, entregar um festival de atuações marcantes, com um ritmo próprio e, felizmente, despreocupado com as caraminholas inventadas pelos executivos do estúdio. Mais que conhecer sua indústria, Yates e Rowling sabem que têm público cativo, têm o interesse mundial nas mãos e, acima de tudo, têm a chance de mostrar que a dobradinha cinema & literatura só resulta numa adaptação fraca quando se pensa no dinheiro antes da qualidade.
Relembrar do final anticlimático de Harry Potter e o Enigna do Príncipe pode ser um primeiro passo na preparação para o clima de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 [HP7]. A queda de Dumbledore desintegrou qualquer resquício da bolha de segurança ao redor dos personagens, mas, de forma mais efetiva, lançou Harry, Ron e Hermione num mergulho sem volta em um mundo inseguro e regido pela morte. Medo deixou se ser uma preocupação. Na guerra, vida e morte são separadas por instantes ou um leve descuido; duas constantes aplicadas a uma família forjada à base de muita dor, perda e um futuro sombrio. Ele retornaria. Ele retornou e futuro é agora. E o agora, é o fim. O início melancólico de HP7 não engana e nem precisa de meias palavras para apresentar tanto sofrimento latente. Uma última olhada no quartinho embaixo do armário; um triste adeus a sua própria identidade; um olhar por uma janela estranha e nada reconfortante. Escolhas acertadas por conta do grande trunfo do longa: o público conhece demais os personagens e, logo de cara, já sente suas escolhas e mazelas. O sentimento brota logo de cara e não para nem por um instante ao longo das 2h26 de duração.
Seguindo a mesma assinatura visual dos últimos dois filmes, David Yates construiu bem sua guerra – que acontece mais no plano psicológico do que no físico, em termos de tempo dedicado no filme. De qualquer forma, não era sem tempo, afinal, Rowling vinha anunciando o grande embate entre Harry e Voldemort desde o começo da saga do bruxinho. Ha! Bruxinho! Bons tempos. Harry deixou a inocência de lado, mas, guiado pelo idealismo de sua criadora, ainda insiste no caminho da bondade suprema. Amigos, colegas, familiares… todos morrendo a sua volta e, nem mesmo assim, Potter é capaz de devolver na mesma moeda. O matar ou morrer não funciona para os mocinhos de Rowling, sempre dispostos representar seus dogmas mesmo que isso lhes custe a vida. O Lado Negro é indesejável, mas o extremo bom mocismo soa tão caricato quanto a malevolência constante, porém, como Bellatrix Lestrange é doida de pedra – além de dar a impressão de que, se puder, mata seu almoço todo dia só para o prazer de tirar uma vida sempre que possível – esse extremo do espectro é menos sentido. É o diretor respeitando a autora – e produtora. Respeito, um dos grandes diferenciais de HP7 para outras adaptações, especialmente as que tentam desesperadamente preencher o iminente vazio que será deixado pela saga. Eragon caiu no esquecimento rapidamente, Percy Jackson deve seguir o mesmo caminho, Coração de Tinta não funcionou e Cirque Du Freak foi uma vergonha. Não é preciso ser ágil, ninguém precisa ser convencido, final feliz está fora de cogitação e mesmo quem não leu os livros quer saber o que vai acontecer com Harry, Ron e Hermione. Fato. Esse trio entrou para o imaginário popular, logo, seu destino é interessante. Além de ser uma compensação por todos os anos de dedicação à série de filmes, iniciada em 2001.
Sem pressa, tudo pode acontecer com profundidade. Seja um período pensativo de Harry, um lamento solitário de Hermione ou um rompante de fúria de Ron. A guerra parece ser mais pessoal, mais profunda, absolutamente íntima dentro dos personagens principais. Yates garantiu ao trio Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint todo o tempo necessário para seus ‘monólogos’ solitários, um prêmio por anos de dedicação à franquia. Cada um deles pode ampliar seus horizontes, e reconhecer limitações, em algo – na ausência de comparação melhor – similar a uma pequena peça individual dentro do filme. Toda essa contemplação, aliada um trabalho de fotografia belíssimo, natural e, pasme, simples, é a maior prova da “insurreição” de Yates às regras hollywoodianas. Se a história pedia, ele entregou. Simples assim. Exatamente como Zack Snyder fez quando pisou no freio em Watchmen para que o Dr. Manhattan fosse a Marte e contasse sua história. É o cineasta a serviço da história, independente do que pense o público menos envolvido. HP7 pode soar lento por esse aspecto, porém, jamais perde seu ritmo. É a conclusão de uma saga literária programada e extensa, não um final de trilogia criado às pressas e por demanda financeira. Faz sentido e tem suas próprias regras.
A magia circunda aquele mundo e seus personagens, cujas vidas são mais surpreendentes quando as varinhas estão guardadas e notícias, normalmente tristes, chegam do campo de batalha ou de um amigo querido. Se a gênese de Harry Potter era repleta de truques, ensinamentos e deslumbre com escadarias inquietas, sua conclusão é implacavelmente crua e violenta. Rowling defende alguns conceitos de forma bem clara: heróis não matam (por enquanto); vilões são deformados ou traiçoeiros; e política e nobreza são instituições falidas (vide as constantes falcatruas atribuídas ao Ministério da Magia e a decadência dos Malfoy). A queda de Lucius Malfoy poderia ser digna de pena, não fosse a conduta subserviente e lacaia adotada pelo personagem – em grande momento de Jason Isaacs – e seu inevitável reflexo no inexoravelmente covarde Draco, inicialmente pintado como o arquiinimigo de Potter, mas que, efetivamente, nunca passou de um mauricinho mimado e incapaz de ameaçá-lo de verdade. É a vitória dos mestiços, os half-bloods; o eterno sonho da plebe britânica em se unir à realeza, a síndrome de Diana. Aliás, o racismo e o preconceito contra trouxas e mestiços são abordados em HP7, mas de forma tão aleatória e ineficaz quanto as aparições de Voldemort, mais presente como ameaça psicológica que como inimigo efetivo. O grande vilão ainda não teve sem momento, ainda é uma ameaça assustadora, mas arisca e distante. Assim como num jogo de videogame, Harry parece precisar superar todos os obstáculos do mundo para poder lutar contra o chefão.
Presenças Relâmpago e as tais Relíquias
Longa duração, grande atenção para dilemas pessoas do trio principal, mas, como em toda reta final, muita gente precisa aparecer e o resultado são participações relâmpago. Alan Rickman é uma delas, tendo apenas duas cenas; assim como Imelda Staunton, que retorna como Dolores Umbridge, e o recém-chegado, e logo despachado, Bill Nighy, como Ministro da Magia. Brendan Gleeson é uma das maiores lástimas, primeiro pelo descaso com que o destino de Olho-Tonto é apresentado, segundo pela perda do último personagem disposto a lutar de igual para igual contra os Comensais da Morte. Hagrid também aparece pouco. Menção honrosa para Edwiges, que tem dois momentos e ganha a eternidade com seu sacrifício supremo. No final das contas, fica a impressão de um grande desfile de rostos conhecidos, novos nomes que não chegam a ser relevantes o suficiente para serem lembrados e o embate com o aspecto sem face da maldade de Voldemort. Seus agentes provocam o caos, matam sem piedade, mas usam máscaras; não tem identidade; apenas simbolizam sua opressão e sangue frio.
Claro, reflexo direto da opção pelo foco total em Potter, Hermione e Weasley e sua jornada para encontrar e destruir os horcruxes de Voldemort e também da natureza binária da narrativa. são duas partes de um gigantesco último filme, o que modifica a estrutura e, no futuro, ganhará mais força quando for possível assistir aos dois, em seqüência, e sem meses de intervalo. Analisando HP7 como produto independente – sem apoiar suas escolhas no roteiro do livro e nos detalhes dos personagens – nota-se grande preocupação com a ambientação e a construção do verdadeiro clímax dessa história, que só acontece na Parte 2. Entretanto, a simples noção do embate entre Harry e Voldemort desintegrou-se com a destruição das varinhas irmãs e a introdução das Relíquias da Morte, um conceito apresentado apenas no livro final. Três artefatos feitos pela Morte. Dois deles conhecemos: a capa da invisibilidade usada por Harry e a varinha de Dumbledore, um deles ainda é um mistério; a pedra capaz de ressuscitar os mortos. Sua descoberta é tão importante quando a destruição dos horcruxes – que tornará Voldemort mortal novamente -, pois quem reunir as três peças, terá o controle sobre a Morte.
Enquanto nada disso acontecer, ser amigo de Harry Potter significa poder morrer a qualquer instante. Trouxa ou elfo doméstico, coruja ou bruxo. Nenhum lugar é seguro. Nenhuma lágrima é contida. É a dura realidade da vida humana, enfrentar a mortalidade. Cabe a cada um escolher se o fará com honra e dignidade, ou desespero e sangue nas mãos.
No universo de Harry Potter, vida e morte sãs as únicas constantes. Os bruxos se digladiam pela eternidade, enquanto David Yates mostra a Hollywood que é possível viver sem futilidade; dirigir sem destruir o material base; matar sem pensar no licenciamento; e ousar em benefício do público. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é uma porrada emocional, capaz de fazer rir, sentir e chorar, um filme histórico por circunstância e magnífico por mérito. É a magia a serviço do cinema.
SOS Hollywood - novembro de 2010
Por Fábio Melo Barreto
Crítica - 16 de novembro
Érico Borgo
Se Harry Potter e o Enigma do Príncipe foi o início da "trilogia" que vai encerrar a maior franquia cinematográfica de todos os tempos, Harry Potter e as Relíquias da Morte, apesar da Parte 1 do título, é o meio. Sendo assim, fica difícil analisá-lo com os mesmos critérios normalmente empregados em críticas cinematográficas. Como fragmento de algo maior, este Harry Potter simplesmente não se sustenta como entretenimento casual, com começo, meio e fim. Para apreciar Relíquias da Morte - Parte 1 é preciso ser devotado à franquia.
Referências a um sem-fim de detalhes dos outros filmes - e livros -, todas imprescindíveis para a compreensão deste capítulo, tornam esta uma experiência totalmente dedicada aos fãs. Há quem entenda isso como uma aberração cinematográfica, mas definitivamente esta produção não é voltada a esse tipo de público. É justamente o respeito às pessoas que estão há uma década ao lado de Harry, Ron e Hermione, algumas que, literalmente, cresceram ao lado do trio, o que torna este filme tão especial.
A decisão de dividir o último dos livros da saga Harry Potter, um dos maiores em volume, em dois filmes, ainda que funcione maravilhosamente bem dentro das intenções mercadológicas da Warner Bros., é excepcional em termos de fidelidade narrativa ao material original. Com 2h30 de duração para cobrir 60% do livro, a adaptação tem tempo de sobra para levar os acontecimentos do romance às telas sem os atalhos que os demais filmes se acostumaram a fazer. Tanto que isso até evidencia os defeitos dos demais, cheios de cortes em nome da duração mais curta, algo que rende mais sessões por dia (e por consequência, lucro). Analisemos por exemplo, Dobby, o elfo doméstico (voz de Toby Jones). O personagem teve destaque no cinema no segundo filme e depois desapareceu das telonas, ainda que na série literária tenha permanecido relevante. Assim, sua volta no sétimo filme, cheio de importância, parece completamente gratuita para quem apenas o conhece do cinema.
Nada que prejudique a diversão, porém, para a verdadeira nação de fãs do jovem bruxo, que conhecem cada uma das referências, entendem a relevância dos personagens e subentendem acontecimentos.
Ainda que entendam perfeitamente seu público-alvo, o diretor David Yates e o roteirista Steve Kloves, pela terceira e sexta vez na série, respectivamente, não se acomodam no que comprovadamente funciona para essas adaptações ou limitam-se em entregar o esperado. Uma das preocupações que mais devem ser exaltadas na série Harry Potter é justamente esse crescimento contínuo. Cada um dos responsáveis pelos filmes deu aos fãs um pouco mais de qualidade cinematográfica, desenvolvendo conforme as histórias ficavam mais complexas e discutiam temas mais densos, e Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 mantém essa tendência.
O tom da adaptação continua sombrio, como Yates já tratava elegantemente a série desde o quinto filme, mas desta vez há sequências ainda mais adultas, violentas (prepare-se para alguma tortura e sangue) e dramáticas, tanto que fica difícil classificá-la como uma fantasia. Há, claro, três ou quatro cenas de ação, mas elas estão muito distantes dos animados embates dos primeiros capítulos da franquia. Entre cada uma delas há longas (corajosamente longas, pensando na grande parte do público acostumado a esse tipo de produção) cenas em que muito pouco acontece além da tensão recorrente da solidão de três adolescentes tendo que, pela primeira vez em suas vidas, assumir as rédeas de seus destinos, sem professores, pais ou responsáveis.
Essa nova realidade, distante dos muros protetores de Hogwarts, dá ao trio protagonista (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint) seus melhores momentos na série como atores. Especialmente Grint, que enfim consegue deixar de ser o amigo-alívio-cômico para disputar de igual para igual com Radcliffe o foco da atenção. Não é por acaso que Martin Scorsese andou dizendo que o ruivo é o "próximo Leonardo DiCaprio". Ele realmente aprendeu a atuar.
A trama começa com a ameaça dos Comensais da Morte de Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) ganhando proporções alarmantes, tanto que Harry, Ron e Hermione precisam tomar providências para proteger seus familiares. Com o inimigo enfim agindo impunemente, é preciso esconder Harry Potter, que se torna a última esperança da resistência dos bruxos para impedir o reinado de Voldemort. Com a queda do Ministério da Magia, porém, a situação se complica - e os três amigos partem em busca dos únicos artefatos que podem parar de uma vez por todas esses eventos: as horcruxes.
Essa busca é evidenciada pela bela fotografia de Eduardo Serra, novato na franquia, que traz cores e grandiosos cenários naturais até então inéditos à saga. Outro que traz novidades é Alexandre Desplat, cuja trilha sonora evoca quase nada os temas fantasiosos iniciados por John Williams. É ótimo ver esse tratamento adulto de um tema nascido para crianças - Harry Potter, com tudo isso, cumpre seu papel como formador de público, refinando olhares e desenvolvendo em seus fãs o apreço pelo tempo do cinema. Infelizmente, não termina - a Parte II só em meados do ano que vem -, ou poderia ser o melhor filme da série até aqui, algo que, se tudo continuar na direção certa, deve acontecer depois de 15 de julho de 2011.
Crítica - 16 de novembro
Thiago Borbolla
Eu não sei dizer o dia exato, mas lembro exatamente de quando em um sábado de Julho de 2007 eu fui até o shopping, numa livraria, comprar o meu exemplar de Harry Potter and the Deathly Hallows. Sim, em inglês, pois no domingo eu viajaria para a Comic-Con e, sinceramente, eu me recusava a tomar spoiler na cabeça. Ainda mais estando lá.
Comecei a ler o livro no avião, continuei lendo durante os dias que antecederam o evento. Depois que começou, eu também lia, mas sabe quando você tem oitocentas e oitenta e oito milhões de coisas na cabeça e nem presta lá muita atenção?
…e essa foi a única vez que eu li o livro.
Assisti recentemente Harry Potter e o Enigma do Príncipe e, dessa vez, não foi tão ruim quanto quando eu vi pela primeira. Ainda é um filme fraco. Me empolgou para Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 o suficiente pra eu ir atrás do livro e tentar lê-lo em três dias.
Nem cheguei perto do livro. E acho que isso foi uma das melhores coisas que eu podia ter feito.
Pra mim, é bem simples: se um filme é uma adaptação, eu tento vê-lo primeiro como filme e depois como adaptação. Uma boa adaptação pra mim é aquela que transforma, no caso, um livro em um filme. Não tentam fazer do livro um filme — como nos dois primeiros, que são péssimos, como filmes. E como adaptação. E como fazer isso?
Bom, eu não sei fazer. Mas David Yates e Steve Kloves conseguiram fazer direitinho.
Não há uma só cena que a gente percebe que foi claramente colocada ali só porque tem no livro. Os pontos principais estão lá. E eu sei que estão, pois é basicamente isso que eu me lembro do livro. E ainda com a história tendo um ritmo sensacional, que faz parecer que as 2h26 são na verdade 40mins, sério… Harry Potter e as Relíquias da Morte é o melhor filme AND adaptação da franquia. E veja: eu nem tou falando “Parte 1″. ;)
Harry Potter…
Do primeiro ao último, os livros amadureceram, os filmes amadureceram, os leitores, os espectadores, os atores. As histórias se tornaram “adultas”, o pessoal que ia assistir ao primeiro filme como pré-adolescente hoje são maiores de idade. Mas os atores? Bom, enfim eu posso dizer que temos três atores.
Sim, amigos. Daniel Radcliffe, no último filme, conseguiu ser Harry Potter. O personagem ainda não é aquele dos livros, e agora já é tarde demais pra ser. Mas há humor, há emoção, há motivos suficientes para acreditar na sua interpretação. Há, de fato, um trio dessa vez. Há, de verdade, três melhores amigos capazes de arriscar absolutamente TUDO por essa amizade, em busca de Horcruxes, contra tudo e contra todos.
Rupert Grint melhorou o seu timing pra comédia e deixou de ter aquela cara de bobo, conseguindo usar o corpo pra se expressar também. A Emma Watson… Essa é atriz faz tempo. Tem um bom futuro pela frente. Tou até agora ecoando o choro e os gritos dela na minha cabeça… De verdade. É perturbador. E ela conseguiu.
E é engraçado — e culpa de David Yates, que agora teve MUITO mais tempo para desenvolver uma história tão violenta, tão profunda para esses personagens — que mesmo outros atores, que nunca foram lá muita coisa, tiveram chances de mostrar os motivos, pelo menos, pelos quais passaram nos testes. Até a Bonnie Wright está bem. Ela realmente parece ter tesão pelo Harry, que a beija com mais vontade que Scott beijou Ramona. OU SEJA… ;)
…e as Relíquias da Morte
O sétimo filme de Harry Potter finaliza uma saga que deu muito dinheiro a seus produtores, atores, ao estúdio, à sua criadora, J.K Rowling. Mas é uma saga — livro e filme — que colocou a fantasia de volta na mente de muita gente que nem lembrava mais o que era isso. Ou nem sequer sabia. Uma saga que fez muita gente ler. Sim, porque é isso. Fãs serão fãs sempre, do que for, e serão todos iguais, muitas vezes defendendo e comparando coisas que não precisam de defesa ou são incomparáveis.
Mas Harry Potter e as Relíquias da Morte está aí pra todos. Agradece, contemplando fãs, dos livros, dos filmes, da HISTÓRIA, que jamais conseguiram colocar outros rostos nos personagens principais das suas cabeças, com uma produção visualmente bonita, com uma história que tem tempo de ser contada, e adaptada ao seu tempo.
É o fim de uma história que não deveria terminar. É o fim de uma história do jeito que ela merece ser terminada. O fim de uma história que a gente fica feliz por ter acompanhado. Mesmo que ainda falte um filme. ;)
Agora me dá licença que eu vou lá pegar o livro e devorá-lo…
Crítica - 16 de novembro
Thyago Gadelha
"Estes são tempos sombrios, não há como negar. Enfrentamos a maior ameaça de todos os tempos", anuncia o ministro da Magia Rufus Scrimgeour (Bill Nighy) na abertura de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1. A declaração dá logo o tom da jornada de mortes, dor e solidão que enfrentarão Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley, e todos os cúmplices - passada fora de Hogwarts, o que já dá um sabor diferente dos outros filmes da franquia.
No filme, Harry corre contra o tempo e dos fiéis Comensais da Morte de Lord Voldemort (Ralph Fiennes, caricato na media certa) para destruir as Horcruxes, que guardam parte da alma do superbruxo. No caminho, descobre a existência de três poderosos objetos no mundo da magia: as Relíquias da Morte (A Capa da Invisibilidade, A Pedra da Ressureição e A Varinha das Varinhas, sendo o último ítem parte do clímax final). Para quem não leu os livros, há uma boa explicação no momento em que o trio vai à casa de Xenophilius Lovegood (Rhys Ifans) buscar o significado do símbolo no pingente do editor d'O Pasquim - tudo em forma de animação, uma boa escolha do diretor David Yates.
A característica de road movie do filme faz tudo parecer pungente desde o início. Nenhum lugar é seguro. Há morte nos primeiros minutos e próximo da divisão da parte final (já revelada anteriormente aqui *spoiler*), mas os momentos mais tristes são aqueles protagonizados pelo trio interpretado por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. Carregados de emoção, os atores entregam seus melhores performances até aqui. Destaque para Grint, que sempre foi apoio cômico da história e agora mostra todo o amadurecimento como ator nas discussões com Harry no filme, em especial a que fala sobre o medo de ouvir o nome dos pais na lista de mortos divulgada pela rádio depois do terror espalhado por Voldemort.
Algumas passagens são de extrema melancolia, como nos primeiros segundos do longa em que Hermione usa o feitiço Obliviate para apagar a memória de seus pais "trouxas" e parte na perigosa jornada que pode ou não conceder-lhe o retorno pra casa; ou quando Harry e Hermione vão ao túmulo dos pais do bruxo em sua cidade natal, Godric's Hollow. Há também desentendimentos entre eles, que foram obrigados a crescer de uma hora para outra. Sem pais e sem a ajuda dos professores, eles ficam à flor da pele e ainda sujeitos a influência de uma das Horcruxes que revezam no pescoço - na tentativa frustrante de tentar destruí-la.
Embora esteja sempre tenso, há momentos engraçados para quebrar o clima pesado, como a já comentada cena em que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Alastor Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson), dá a poção polissuco aos amigos de Potter e os transforma em seus semelhantes - o plano é despistar os Comensais da Morte. "Foi uma cena com efeitos especiais altamente desenvolvidos. Para filmá-la, foram necessários 95 takes", disse Radcliffe em entrevista ao Mugglenet no final de outubro. E ainda deu oportunidade do ator mostrar sua capacidade de interpretar os trejeitos de cada personagem.
Entre as novidades da parte técnica, está Eduardo Serra, responsável pela bela fotografia do filme - tão sombria quanto o EdP, mas não tão escura quanto ele. Natural de Portugal, o profissional esteve por trás das igualmente belas fotografias de Diamante de Sangue e Moça com Brinco de Pérola. Destaque também para a trilha sonora, assinada pelo versátil Alexandre Desplat (O Escritor Fantasma, O Fantástico Senhor Raposo e A Bússola de Ouro), menos formal que as de John Williams, sem contar com a canção O Children, de Nick Cave and the Bad Seeds, que toca em uma cena doce com Hermione e Harry. O time de efeitos especiais e efeitos visuais dá um show em tantos momentos que fica difícil escolher o melhor. Com certeza deve render uma indicação ao Oscar 2011.
Mesmo sendo difícil avaliar o filme pelo fato de ser uma passagem de O Enigma do Príncipe para a parte final (que estreia no dia 15 de julho de 2011), todo esse conjunto - formado pelas melhores performances do trio, técnica competente, jornada fora do escola de magia, entre outras qualidades - permite classificar o filme como o melhor da franquia até agora. Mas o mais emocionante de tudo é ver que toda uma geração, a chamada Geração Harry Potter, cresceu com a franquia, baseada na ótima literatura de JK Rowling e um exercício de cinema ao longo dos anos. Os personagens foram amadurecendo na tela, enquanto os fãs cresciam no mundo real. Aqueles temas infantis abordados no início deram lugar a questões morais e existecialistas, um paralelo com a formação de cárater do público que os acompanhou.
Após ouvir Ron comentar que passou a noite em um pub e assistir a uma cena – de alucinação – em que Harry e Hermione se beijam nus, o sétimo filme com os três aprendizes de bruxos de J.K. Rowling não deixa dúvidas: de infantil, Harry Potter não tem mais nada.
A primeira parte cinematográfica do último livro da saga, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, estreia nesta sexta-feira (19) no Brasil. Trata-se do longa mais adulto e sombrio até agora e, de todos, também pode ser considerado como o mais “difícil”.
“Harry Potter e as Relíquias da Morte” tem mais de duas horas de duração e emenda com o final do antecessor, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, que termina com a morte de Alvo Dumbledore, o que culmina na guerra entre Harry (Daniel Radcliffe), o escolhido, e Voldemort (Ralph Fiennes), o Lorde das Trevas, que ao lado dos Comensais da Morte tomará controle do ministério de magia e da própria escola de Hogwarts.
Porém, antes da batalha final, Harry precisa destruir a imortalidade de Voldemort com a captura das horcruxes, uma lista de objetos em que ele depositou sua alma com o passar dos anos. Durante essa busca, sempre escorado por Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), ele conhece um esquecido conto sobre as "relíquias da morte", três poderosos objetos do mundo dos mortos: a capa da invisibilidade, a pedra da ressureição e a varinha de Sabugueiro - essa última almejada por Voldemort para matar Harry.
Trata-se da boa e velha dialética entre e o bem e o mal, mas com os ricos detalhes da história criada por Rowling, cujos filmes anteriores arrecadaram US$ 5,4 bilhões em todo o mundo.
Comparar aliás “Relíquias da Morte” com seus antecessores é ver a clara evolução que a série ganhou desde 1999. A trama, assim como os personagens, amadureceu e isso é refletido dentro do filme, não apenas superior aos outros esteticamente, mas também de roteiro e atuações. Nunca o trio de amigos esteve tão confortável em seus papéis e Radcliffe chega a ser engolido em alguns momentos por Emma e Grint, cujo romance velado rende momentos divertidíssimos.
Também é de se elogiar os efeitos especiais e as cenas de ação, principalmente a presente nos elétricos 15 minutos iniciais do filme. Para despistar os comensais, que estão atrás de Harry, vários de seus aliados tomam a poção mágica polissuco e se transformam em clones do bruxinho.
As cópias sobem em suas vassouras, enquanto o verdadeiro divide uma moto modelo sidecar com Hagrid (Robbie Coltrane). A perseguição que começa no céu e depois termina em uma via expressa é alucinante - é praticamente um “’Matrix’ juvenil”.
Uma pena que toda essa adrenalina visual dure poucos minutos. O que impera depois são momentos bucólicos com o trio principal, com cenas sempre de belíssima fotografia e que ficam muito tempo presas a um certo assunto sem desenvolvê-lo rapidamente.
Os fãs mais fervorosos vão elogiar a calmaria proposta pelo diretor David Yates e dizer que a escolha condiz com o clima do último livro, pois a sensação é que nada dele vai ficar de fora dos dois filmes.
Já quem conhece o universo dos bruxos e trouxas apenas pelo cinema irá achar essa nova adaptação tediosa e que a escolha por dividi-la em duas partes não passa de mais um truque mercadológico para lucrar com o bilionário universo de J.K. Rowling.